
A história da criação de Timor-Leste
O Crocodilo Que Se Tornou uma Ilha
A lenda timorense conta a história de um rapaz que salvou um pequeno crocodilo e o levou ao mar. Em gratidão, o crocodilo ofereceu ao rapaz uma vida de viagens pelo oceano. Quando o crocodilo finalmente morreu, o seu corpo transformou-se na ilha de Timor: a espinha dorsal montanhosa era o seu dorso, as baías eram as suas curvas. Ainda hoje, os timorenses chamam ao crocodilo "Avô" e a silhueta da ilha vista do ar tem uma notável semelhança.
A história do crocodilo e do rapaz não é apenas um mito. É a narrativa fundadora da identidade timorense. Na versão mais comum, um pequeno crocodilo que vivia num pântano sonha em tornar-se grande e poderoso. Fraco demais para alcançar o mar por conta própria, é salvo por um jovem rapaz que o leva até à água. O crocodilo promete retribuir a bondade.
Durante anos, o crocodilo leva o rapaz pelos mares, mostrando-lhe ilhas e costas. Mas eventualmente o crocodilo envelhece e sabe que a sua hora chegou. "Vou morrer", diz ao rapaz, "mas o meu corpo tornar-se-á uma grande ilha onde os teus descendentes poderão viver para sempre." O dorso enrugado do crocodilo torna-se a cordilheira que corre como uma espinha pelo centro de Timor. As suas pernas tornam-se as penínsulas. A cauda curva-se na extremidade oriental.
A história explica porque os timorenses chamam aos crocodilos "Avó" (Avô). Também explica a profunda ambivalência que os timorenses sentem em relação aos crocodilos de água salgada, que são um perigo genuíno em estuários e áreas costeiras. Respeita-se o antepassado, mas mantém-se distância.
Do ar, a semelhança é impressionante. Timor é longa e estreita, com uma cordilheira central que sobe a quase 3.000 metros, descendo abruptamente para planícies costeiras estreitas de ambos os lados. A extremidade oriental encurva e estreita-se como uma cauda. Muitos visitantes só percebem a ligação quando veem a ilha pela janela do avião, e de repente a lenda faz total sentido visual.
O crocodilo aparece em todo o lado na arte, na arquitetura e na vida quotidiana timorense. As vigas dos telhados das uma lulik (casas sagradas) são frequentemente esculpidas com figuras de crocodilo. Os têxteis tais apresentam motivos estilizados de crocodilo. E a narrativa nacional de independência, uma nação pequena e vulnerável que se tornou algo vasto e duradouro, espelha a história na perfeição.
